Rinite Alérgica
Charles K. Naspitz
Professor Titular e Livre-Docente da Disciplina de Alergia, Imunologia Clínica
e Reumatologia, Departamento de Pediatria.
UNIFESP / EPM
No Brasil, aproximadamente 30% das crianças e adolescentes apresentam rinite alérgica. Esta doença, que é caracterizada por um processo inflamatório crônico da mucosa nasal, após inalação de algumas substâncias, chamadas alérgenos, tem um quadro clínico característico: coceira no nariz, olhos, ouvidos, espirros (em geral, vários em seguida), coriza (secreção) clara, transparente e obstrução nasal, às vezes, muito importante (entupimento).
Esta obstrução nasal leva a criança a respirar com a boca aberta, dia e noite, sendo comum babar no travesseiro. Várias conseqüências aparecem depois de um certo tempo de respiração bucal: deformidades na face com má oclusão dentária, olheiras profundas, dificuldade em engolir (toma água aos poucos, com freqüência, durante as refeições), garganta ressecada etc. Como muitas crianças com rinite também têm asma, o ar que é enviado aos pulmões é de má qualidade, pois, ao não passar pelo nariz, não foi filtrado, umidificado e aquecido.
Em outras palavras, a asma não será bem controlada se a rinite concomitante não for adequadamente tratada. Entretanto, existem outras causas de respiração bucal, que não a rinite alérgica. Por exemplo, adenóide muito grande, desvios importantes do septo nasal etc. Por este motivo, o respirador bucal é atendido por uma equipe multidisciplinar, incluindo o(a) alergista, o(a) otorrinolaringologista, o(a) ortodontista e o(a) fonoaudiólogo(a). Para o tratamento a longo prazo da rinite alérgica, que quase sempre é perene, uma vez identificado(s) o(s) alérgeno(s) (85% de nossos pacientes com alergia respiratória são sensíveis aos ácaros da poeira domiciliar), recomendamos cuidados ambientais, principalmente no dormitório, para evitar ou diminuir a exposição ao(s) alérgeno(s).
O tratamento com medicamentos é o que mais rapidamente resolve o problema da obstrução nasal, com alívio dos outros sintomas. O tratamento considerado ideal é o que associa um anti-histamínico por via oral a um corticóide de uso nasal.
A palavra corticóide assusta os pais; entretanto, a absorção sistêmica destes medicamentos em nível de mucosa nasal é muito pequena, e estudos de longo prazo mostraram que crianças tratadas com determinado corticóide nasal por 1 ano não apresentaram efeitos adversos. Este medicamento é considerado muito seguro e é o único recomendado para crianças a partir dos 3 anos de idade (consulte seu médico).
Além disso, a intervenção de cada especialista da equipe, trabalhando em conjunto, garante resultados melhores e duradouros, devolvendo à criança e ao adolescente a liberdade maravilhosa de respirar pelo nariz!
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