Responsabilidade da Família e do Médico
Luc Louis Maurice Weckx
Prof. Livre-Docente - Prof. Associado do Departamento de Otorrinolaringologia
e Distúrbios da Comunicação Humana - UNIFESP/EPM
Os mamíferos, entre os quais o homem, nasceram para respirar pelo nariz; o ar inspirado que passa pela cavidade nasal é filtrado, aquecido e umidificado antes de chegar aos pulmões; ou seja, além do olfato, o nariz funciona como proteção das vias aéreas inferiores.
Aqueles que não utilizam o nariz - RESPIRADORES BUCAIS - são obrigados a se adaptar para tal, por exemplo, mudando a posição da língua, o lábio inferior torna-se frouxo, a cabeça projeta-se para a frente. Tais adaptações, com o tempo, acabam levando a alterações da face, que fica mais alongada e estreita, e da oclusão dos dentes de cima com os de baixo, além de modificar as funções das quais a boca participa como a mastigação e a fala. Além do que, se não usa o nariz, não filtra o ar ambiente, o que propicia condições para maior número de gripes, sinusites, faringites, rinites e crises de asma.
Como estas alterações são de instalação progressiva, nem sempre são percebidas pelo paciente ou familiares. Como o ideal é diagnosticar o respirador bucal o mais precocemente possível, cabe ao Pediatra e ao Odontopediatra suspeitar na maioria das vezes de que o quadro está se instalando. Entre as referências que fazem suspeitar de um respirador bucal, destacam-se
- lábios afastados e quando sorri expõe a gengiva
- engole ar, ocasionando uma "barriguinha"
- come e respira pela boca, mastiga pouco, então se alimenta
mal e não gosta de sólidos
- face mais estreita, alongada
- céu da boca fica alto e pode haver vários tipos
de má oclusão dos dentes
- acumula saliva, cuspindo ao falar ou babando à noite
- pode trocar alguns fonemas como "te", "de" e outros
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